Reflexões de uma educadora de infância

Fóruns Pré-escolar Reflexões de uma educadora de infância

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  • Liliana Silva
    Administrador

    Ups! Não foi como tinha imaginado…

    Primeiro dia e já temos tudo planeado e organizado… a sala com diferentes pontos de interesse, cheia de novidades e surpresas. Algumas atividades planeadas e alguns “truques na manga” caso seja necessário. Mas a ideia de que pode falhar ou faltar alguma coisa não me sai da cabeça. Dedicamos muito tempo a criar o nosso ideal de primeiro dia, organizamos e estruturamos tudo para que seja perfeito.
    Pode ser cansativo e frustrante se no final do dia, depois de tanta preparação e espectativa tudo correr diferente do que imaginamos.
    Mas e depois disto, o que posso fazer? Bem, o mais importante é sempre valorizar as crianças.
    O que realmente importa é a relação que criamos com as crianças desde o início. É essencial focarmos a nossa atenção e esforços para criar relacionamentos genuínos e saudáveis com cada criança, tenho a certeza que no final do dia a sensação será sempre a de satisfação e dever cumprido.
    Podemos ter os melhores placares, a melhor área de pintura, os livros mais fantásticos à disposição e ter a sala preparada de forma perfeita mas o que irá garantir o nosso sucesso ao final do dia será sempre o esforço que fizemos para termos uma relação saudável com cada aluno e com todo o grupo.
    Devemos fazer esforços para que a sala e todos os espaços sejam perfeitos para as crianças, mas sempre, sempre dar prioridade às relações, pois quando nos esforçamos e colocamos a relação com as crianças em primeiro lugar, tenho a certeza, que tudo o que fazemos irá parecer perfeito aos olhos das nossas crianças.

    Liliana Silva, adaptado do blog de Deborah Stewart, Teach Preschool.

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  • Liliana Silva
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    Os primeiros dias… imperfeitos mas pouco.

    Alguns choros pela manhã como já é de se esperar. Mamãs que demoram a fazer a despedida e papás que tentam esconder o nervosismo… ainda temos as crianças que gostam é de brincar e estar no nosso espaço, com essas a chegada é mais tranquila, assim começam os nossos dias.
    Para aliviar a tensão dos primeiros dias e poder criar uma maior proximidade com cada uma das crianças preparo atividades mais lúdicas.
    Nestas atividades sei à partida que todos se vão envolver e divertir, vou aproveitar que o verão veio mais tarde e vou usar ao máximo o espaço exterior (ofereço assim brincadeiras de grupo, o espaço dá para correr e aliviar as tensões da mudança de rotinas e permite ainda terem um tempo e espaço para brincadeiras e explorações na natureza).
    Brincar no parque e no jardim, preparar gincanas, jogos com balões de água, vou pedir fato de banho e toalha para um dia de banhos com o sistema de rega… bem, o mais importante é criar atividades que os vão fazer à partida desligar dos sentimentos de ansiedade e saudade da família e ao mesmo tempo criar momentos de diversão, alegria e experiências que irão fazer querer voltar no dia seguinte com um sorriso no rosto.

    Liliana Silva

    Liliana Silva
    Administrador

    Ajustes já começam…

    Os dias estão a correr a uma velocidade alucinante, tem sido um “corre, corre” para dar resposta a todo o trabalho e solicitações.
    O início da manhã já é bem mais calmo e já começo perceber algumas alterações que poderei criar na sala, para ir ao encontro dos interesses do grupo.
    É curioso como se tivermos tempo para observar e criar vários momentos de brincadeira livre e espontânea em diferentes espaços podemos ver e reconhecer diferentes interesses e potencialidades.
    Ao longo do dia tenho dedicado uns minutos para estar a observar e a registar alguns momentos significativos para mim; em relação ao grupo, a cada criança e à forma como eles interagem entre eles e com o espaço.
    Vou ser sincera, às vezes é uma luta pessoal conseguir arranjar tempo para isso, mas já vão começar algumas mudanças. Vou arranjar tabuleiros com pé que irão servir de base às construções com blocos, irá ficar mais ao nível dos olhos das crianças e vou ainda aproveitar para expor na sala algumas dessas construções, pois muitas vezes as construções são elogiadas pelos colegas e podemos ainda mostrar aos pais ao fim do dia.
    A biblioteca vai receber uns fantoches e um mini fantocheiro, pois já percebi que tenho um grupinho que tem muito interesse em contar histórias com fantoches e passaremos a ter os fantoches sempre disponíveis.
    A minha sala anda sempre em mudanças, é sempre bom ir adaptando o espaço às necessidades e alterações que vão surgindo, os recursos financeiros sãos sempre escaços, mas com muita criatividade e boa vontade de todos, vamos construindo a nossa história.

    Liliana Silva
    Administrador

    Está a chegar a altura dos primeiros relatórios mais completos. Ter as avaliações, registos, portefólios para mostrar pode ser uma tarefa avassaladora, eu gosto de ter o máximo de informação já escrita e datada.
    Nesta fase já fiz uma observação mais detalhada sobre situações de alerta de desenvolvimento tive como apoio o Inventário Portage. Tenho uma lista por idades que vou verificando e registo se existem alguns marcos de desenvolvimento por atingir. Este é um documento que uso só para mim, com isto faço um possível despiste de atrasos de desenvolvimento.
    Agora é só organizar todos os dados que fui juntando para mostrar aos pais. Gosto de ter o portefólio disponível, juntar os meus registos e fazer um balanço com eles de forma a delinear o próximo período.

    Para fazer este trabalho uso a Plataforma Educa4you, uso os portefólios e tenho todos os registos sempre atualizados. Também uso a Caderneta Digital como meio de comunicação com os pais, assim eles acompanham de perto o trabalho que é feito com os seus filhos. É bom para todos, assim conseguem acompanhar as atividades, projetos e brincadeiras do dia a dia assim como podem partilhar comigo algumas preocupações sem que isso perturbe a dinâmica do dia a dia.
    Vou deixar um exemplo dos meus relatórios que uso como base para o relatório de avaliação.

    Ficheiro de registo_Eva

    • Esta resposta foi modificada há 1 ano, 9 mêses por Liliana Silva.
    Liliana Silva
    Administrador

    Mais um ano que começa, será que está disposto/a a sonhar como profissional?

    Provavelmente já realizou a sua lista de objetivos para este ano que inicia, e como educador/a já definiu as suas metas? Todos temos os nossos sonhos e ideais profissionais, mas já os escreveu no papel para poder refletir sobre eles?
    Pense nas características que deseja desenvolver e como irá progredir na sua carreira e contribuir para um mundo melhor. O que pode fazer para crescer na direção do/a profissional que sempre quis ser?
    Faça uma lista, ou seja, escreva num papel quais os seus sonhos como educador/a. Que melhorias queria ver no seu contexto de trabalho?
    É muito importante ter tempo para focar no que realmente queremos.
    Depois desta pequena lista estar escrita pode passar a delinear os passos a tomar para alcançar os seus objetivos. Para isso é necessário definir pequenas tarefas. Temos uma folha que pode imprimir para ajudar nesta tarefa, basta clicar no link que se segue:
    Metas educador

    Liliana Silva
    Administrador

    Desenvolver a curiosidade

    Explorar, fazer aprendizagens e descobertas de forma interativa e dinâmica é uma constante no dia a dia das crianças e um grande desafio para muitos educadores, pois acompanhar as conquistas de cada uma das crianças, criar um ambiente desafiador que responda às necessidades de todos e cuidar de cada uma das solicitações pode ser avassalador. Mas quando abraçamos a profissão de educadores assumimos desde logo que seria um emprego de muito “trabalho” e muita criatividade para dar resposta a tudo isto.
    Formatar o nosso cérebro e as nossas ações para deixarmos que as crianças tomem parte ativa e que sejam autónomos nas suas ações e investigações é essencial, mas difícil pois muitas vezes condicionamos demasiado as aprendizagens das crianças pois pensamos muitas vezes que sabemos o que têm de aprender e ainda temos os nossos preconceitos de ordem e regras demasiado limitativas nos nossos contextos pedagógicos .
    Em tantos momentos somos levados de forma inconsciente a quebrar com a curiosidade das nossas crianças, no dia a dia eles estão sempre a questionar e a explorar todo o meio que os envolve. Devemos ter sempre presente “o reconhecimento da capacidade da criança para construir o seu desenvolvimento e aprendizagem supõe encara-la como sujeito e agente do processo educativo, o que significa partir das suas experiências e valorizar os seus saberes e competências únicas, de modo a que possa desenvolver todas as suas potencialidades”(OCEPE 2016)
    Todos estes momentos de exploração partindo da curiosidade da criança são essenciais na sua formação; a capacidade de questionar, de associar, de experimentar, de criar soluções e estratégias de resolução de problemas, com certeza poderão levar a tornarem-se adultos ativos, com capacidade de analisar e criar soluções em todas as áreas em que se empenharem.
    Desde muito cedo podemos apreciar esta curiosidade inata nas crianças e é tão bom poder ver a capacidade de coordenação de movimentos quando as crianças estão empenhadas em explorar alguma coisa, a forma como vão aumentando progressivamente o foco de todos os sentidos com o objetivo de ver o que pode acontecer nas suas experimentações e no final ver a reação fantástica de brilho no olhar, a sua expressão maravilhada de ser surpreendido e a expressão de vitória com a conquista.
    Como educadores é essencial consciencializarmo-nos sobre a nossa forma de agir, sobre as aprendizagens, deve ser pensada e alterada sempre que necessário, por vezes não é fácil, mas estes momentos de reflexão são essenciais para que possamos ir ao encontro do que idealizamos para uma infância feliz.

    Liliana Silva

    Video do youtube: Neil deGrasse Tyson – How NOT To Raise Your Children

    Liliana Silva
    Administrador

    Este momento que estou aqui a partilhar aconteceu à alguns anos atrás, mas esta semana cruzei-me com esta família e decidi partilhar aqui um episódio que tive com eles.
    Esta mãe andava preocupada com as aprendizagens do seu filho, partilhou comigo os grandes momentos de tensão que passava em casa quando se sentava em casa com o filho para que pudesse realizar “fichas de atividades”, para o preparar para a escola primária.
    Esta mãe é professora do primeiro ciclo.
    Estávamos no início do ano letivo, depois de conversarmos um pouco e de lhe dar alguns exemplos práticos de como desenvolvo o trabalho em sala ela foi para casa com algumas estratégias para ver se poderia reduzir os momentos de tensão com o menino.
    Algumas semanas depois veio novamente reunir comigo e partilhou que optou por deixar o livro de fichas só para quando o filho quisesse e pedisse para usar.
    Contou-me que na semana anterior pediu ajuda ao filho para colocar a mesa antes da refeição, teve o cuidado de perguntar ao filho quantas pessoas iriam almoçar (noção de número), e depois foram buscar os pratos, copos e talheres (onde viu a sua capacidade de realizar correspondência um a um). O menino quando viu várias colheres, de diferentes tamanhos perguntou à mãe, qual a colher que devia escolher (compreensão de atributos dos objetos) e teve de tirar colheres para a sopa e colheres para a sobremesa.
    Mostrou ao filho como colocar o copo, o prato e os talheres (identificação e reprodução de padrões).
    Em conjunto vimos as diferente aprendizagens que ele demonstrou quando ajudou a mãe a por a mesa.
    O momento de uma rotina diária, uma tarefa que cabia só à mãe foi aberto também para o filho, e ao passarem tempo juntos a mãe pôde ajudar o filho a consolidar alguns conceitos sem tensão ou stress.
    Também nos cabe a nós educadores apoiar e ajudar as famílias a olharem para as crianças e para as aprendizagens de uma forma mais clara e simples, mostrando que os momentos de aprendizagens podem fluir no dia a dia e das brincadeiras, o importante é a forma como estamos atentos e despertos para aproveitar os momentos.

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